Entrevista com Nilber Javier Mosquera, Reitor da Faculdade de Educação da UCN; por Claudiany Manrique, Assistente da Coordenadora de Internacionalização da FGU.
Escrita e adaptação jornalística por Jorge Marchena, Coordenador de Marketing e Eventos.
Em uma entrevista com o Reitor da Faculdade de Educação da Fundação Universitária Católica do Norte (UCN) – Colômbia, Nilber Javier Mosquera, conduzida por Claudiany Manrique, Assistente da Coordenação de Internacionalização da Florida Global University (FGU), no âmbito do Acordo de Internacionalização “Programa Global de Grau” da FGU-UCN, uma análise aprofundada dos desafios que definem o III Congresso Internacional de Educação Virtual foi oferecido. Este evento da UCN, coorganizado com a FGU e a Universidad Andrés Bello do Chile, surge não apenas como um encontro acadêmico, mas também como uma resposta urgente à onipresença da Inteligência Artificial (IA) no ecossistema educacional.
Um Legado de Inovação: Da Fiação à IA Generativa
O diálogo começou estabelecendo o contexto histórico da UCN, pioneira na Colômbia desde 1997, época em que a virtualidade enfrentava barreiras elementares de conectividade. Mosquera explicou a Manrique como a evolução do congresso reflete a maturidade do setor:
- 2017: A abordagem era normativa, buscando regular uma modalidade educacional que carecia de legislação clara na região.
- 2020: Em meio à pandemia, a discussão se voltou para práticas pedagógicas e a democratização do conhecimento virtual.
- Atualidades: “A inteligência artificial é agora”, disse o reitor, enfatizando que o desafio não é mais apenas conectividade, mas automação e dilemas éticos.
A Grande Conversa: Identidade vs. Autoria Artificial
Um dos destaques da entrevista foi a análise da integridade acadêmica. Mosquera levantou uma evolução na questão da identidade na educação virtual. Enquanto a preocupação histórica era validar se a pessoa por trás da tela era quem ela dizia ser, a IA apertou esse desafio.
“Se isso nos preocupava na época, agora o cenário é nos ocuparmos”, disse o Reitor. A discussão focou em como ferramentas como ChatGPT, Perplexity ou Gemini complicaram a validação de competências. A questão central que orienta esta conferência é: Como garantimos que o estudante realmente adquira a competência e não seja simplesmente um usuário passivo de uma IA?
Revolução Pedagógica: Defesa oral como novo padrão
Quando questionado pelo entrevistador sobre as mudanças pedagógicas necessárias para integrar a IA sem sacrificar o pensamento crítico, Mosquera detalhou medidas concretas e radicais que a universidade já está implementando:
- Socialização Síncrona Obrigatória: Não basta mais enviar uma redação. O Reitor explicou que
“todas as atividades submetidas pelos alunos devem ser socializadas de forma sincrona”. Isso implica que o aluno deve defender verbalmente seu trabalho para demonstrar apropriação do conhecimento, dividindo a nota entre a apresentação e a apresentação.
- Aprendizagem baseada em projetos (PBL): A abordagem puramente cognitiva está sendo abandonada em favor de metodologias ativas, como a aprendizagem baseada em problemas. O objetivo é avaliar competências práticas e socioafetivas que a IA não pode replicar facilmente.
- Treinamento Intensivo de Professores: Ao longo de 2025, o corpo docente participou de ciclos de treinamento para aprender a usar IA em pesquisa, avaliação e elaboração curricular, sob a premissa de que “se não houver treinamento, não pode haver adoção”.
Alianças Estratégicas e Sustentabilidade Integral
O congresso transcende a troca de ideias; busca resultados concretos na cooperação internacional. Em resposta às perguntas de Manrique sobre as medidas pós-congresso, Mosquera destacou a importância da aliança com a Florida Global University. O objetivo é consolidar redes para solicitar chamadas de propostas da União Europeia e atrair recursos para impactar territórios vulneráveis.
O conceito de “sustentabilidade integral” também foi introduzido, que abrange não apenas questões ambientais, mas também a viabilidade acadêmica, financeira e administrativa das instituições diante da transformação digital.
Rigor Científico e Projeção
Para garantir que essas discussões tenham um impacto real, o evento conta com um Comitê Científico que atua como curador. Sua função é garantir que os artigos apresentem resultados de pesquisa sólidos e relevantes, evitando dispersões temáticas. As conclusões do congresso não permanecerão no ar; Eles serão sistematizados em relatórios e publicações indexadas para garantir a gestão e transferência do conhecimento.
Com uma previsão de 3.000 participantes e mais de 2.700 inscritos até o momento, este congresso está se tornando um marco na definição do futuro ético e operacional da educação virtual na era da inteligência artificial.
